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Ela Disse | Crítica



Por: Yago Souza 


Dirigido por Maria Schrader, Ela Disse conta com uma história baseada em um dos maiores escândalos de assédios em Hollywood, que está marcado na memória até os dias atuais.


Quando Megan Twohey (Carey Mulligan), uma jornalista do New York Times, juntou provas o suficiente contra candidato a presidência Donald Trump, por acusações de assédio, ela foi ridicularizada e ameaçada após a publicação da matéria, piorando ainda mais sua depressão pós parto. Em seguida, Trump se tornou o 45º presidente dos Estados Unidos, fazendo com que sua matéria e acusações fossem para de baixo do tapete. Em contra partida, Jodi Kantor (Zoe Kazan) iniciava uma matéria contra grandes chefes das indústrias cinematográficas de Hollywood, até chegar no nome de Harvey Weinstein (Mike Houston), que em pouco tempo de pesquisa, a jornalista conseguiu observar diversas queixas de agressões, assédios físicos e morais. Após a equipe do New York Times achar que esse grande furo deveria ser contado ao público, as colegas de trabalho, Megan e Jodi se juntam em um incansável trabalho para desmascarar esse grande diretor Hollywoodiano, que tinha a empresa, Miramax (uma grande empresa cinematográfica) em suas mãos. Ao decorrer das investigações, as jornalistas perceberam que na verdade esses casos eram um grande ciclo vicioso, que envolvia diversos advogados, e grandes nomes da indústria.


O longa tem uma construção de roteiro boa, porque faz com que cada descoberta se torne ainda mais pesada, agregando profundamente no caso. A estrutura do longa é basicamente a mesma de Spotlight: Segredos Revelados, um filme mais “parado”, focando em todos os pequenos detalhes das investigações para construir a matéria, mas que não se torna algo cansativo de assistir.


A produção mexe com um tema muito atual, o feminismo, e o espaço das mulheres dentro de ambientes de trabalho. De um lado, termos Harvey Weinstein, que diminui, menospreza, humilha e assedia mulheres da sua equipe, em contra partida, duas jornalistas criminais que seguem uma investigação enorme e que tem muito respeito e admiração por seus colegas. Esse paralelo é muito significativo para contextualizar duas realidades totalmente diferentes e ajuda muito na construção da narrativa.


As atrizes Carey Mulligan e Zoe Kazan, realizam um trabalho excelente como protagonistas, trazendo toda a emoção que suas personagens necessitam, até mesmo sem dizer uma palavra. Além dos personagens principais, todas as mulheres que apareceram como testemunhas durante as coletas de informações, foram bem desenvolvidas, tendo cada uma suas singularidades, tanto em atitudes, mentalidades e até jeito de agir. O trabalho foi tão bem feito, que trás o sentimento de que aquelas personagens realmente passaram tudo aquilo que dizem, em uma cena, é possível vê a boca de uma personagem não parar de tremer ao contar sobre o caso, mostrando toda as sequelas mentais, por conta das violências.


A atriz Ashley Judd (Divergente) foi vítima real de Weinstein e sua participação no filme foi muito importante para trazer um rosto familiar relatando o que viveu. Além de Ashley, fotos de outras vítimas reais foram utilizadas, como por exemplo a atriz Gwyneth Paltrow, que apareceu por meio de fotos. Esses detalhes que a produção teve no longa, em inserir vítimas reais, depoimentos, documentos e áudios do que aconteceu, consegue levar o telespectador cada vez mais a fundo na história, se tornando um dos pontos altos da trama


A fotografia foi precisamente encaixada no longa e traz toda a sensação de perigo constante, tanto com as jornalistas que estavam vivendo na beira do perigo, quantos das vítimas, que poderiam ser punidas por estar colaborando com a investigação. A trilha sonora feita por Nicholas Britell e Caitlin Sullivan, também foi um ponto que ajudou demais na construção de tensão constante.


O intuito de Megan e Jodi, terem se juntado, foi para dar voz a mulheres que precisavam ser ouvidas e mudar esse ambiente de trabalho tóxico e perigoso e no final do filme, é claro o quanto elas foram importantes para essas mudanças, tanto por ajudarem a mudar políticas de grandes empresas, quanto por tirarem um pouco do medo das vítimas, conseguindo ao fim que mais 82 mulheres denunciassem o diretor. Em 2020, Harvey Weinstein, foi condenado a 23 anos de prisão, em NY.


Alerta gatilho: Esse filme não é recomendado para pessoas que já passaram por situações de abusos físicos ou mentais, em ambientes de trabalho ou em qualquer outra circunstância.

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