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Guardiões da Galáxia: Volume 3 | Crítica



Por: Yago Souza 


Dirigido e roteirizado por James Gunn, Guardiões da Galáxia: Volume 3, é um tiro bem no centro do alvo, e com facilidade, se torna o melhor filme da Marvel depois de Vingadores: Ultimato. Com tudo, talvez ele seja até mesmo o top 3 de todo esse universo que foi construído durante esses 15 anos.


Após a invasão de Adam Warlock (Will Poulter) no QG dos Guardiões da Galáxia, Rocket Raccoon (Bradley Cooper) fica à beira da morte, enquanto Peter Quill (Chris Pratt) está em uma enorme depressão por conta da morte de sua namorada Gamora (Zoë Saldaña). Na tentativa de salvar o pequeno companheiro de equipe, todos ficam dispostos à fazer o possível e o impossível para ajudá-lo. Enquanto isso, vemos em paralelo flashbacks das memórias de Rocket, que até então era muito anônima, até mesmo para seus amigos.


James Gunn é novamente impressionante, fazendo um roteiro com piadas na medida certa e uma carga dramática muito concisa, diferente dos filmes anteriores que abordava uma pegada mais leve. A escolha de focar no passado de Rocket Raccoon foi perfeita, conseguindo evoluir não só o personagem, mas como todos os outros ao seu redor.


É notável, que Gunn gosta de pegar figuras desconhecidas e torná-las queridas e ele acerta isso novamente, criando uma proximidade e conexão do público com os antigos amigos de Rocket, Lylla, Teefs (Dentes) e Floor (Chão). Sua direção e roteiro, deixam claro que mesmo sem super poderes ou grandes feitos, o que deixa um personagem bom ou não, é sua estrutura. Isso fica bastante visível, quando botamos em paralelo os 10 personagens do filme Eternos (um dos maiores grupos de heróis da Marvel) que foram tão mal escritos que se tornaram esquecidos.


A evolução de Raccoon é gigante, saindo de alívio cômico, para um personagem profundo e cheio de camadas. Sob o mesmo ponto de vista, ele também consegue mostrar ainda mais suas habilidades intelectuais, que é muito mais do que nós poderíamos imaginar. Seus efeitos especiais também são chocantes (para o lado positivo), com detalhes muito minuciosos e bem pensados.


Interpretado por Chukwudi Iwuji, o vilão Alto Evolucionário, consegue ter credibilidade e coerência em seus poderes telecinéticos. Além disso, seus posicionamentos em relação à atitudes tomadas são muito objetivas e factuais. Não podemos esquecer que no UCM, a lei é clara, sem corpo sem morte, dando a entender que o antagonista ainda tem mais chances de brilhar.


Falando agora dos Guardiões da Galáxia, como um grupo, é muito gratificante de assistir o desenvolvimento e amadurecimento deles, durante toda essa longa jornada desenvolvida por James Gunn. Com firmeza, você consegue ver essa evolução, tanto pelo lado dos atores, quanto o dos personagens, ganhando sentido tudo o que passaram.


Dividindo o protagonismo com Raccoon, Peter Quill, ganha bastante destaque durante o longa-metragem, principalmente pelo ator Chris Pratt, transparece “estar em casa” quando atua o Senhor das Estrelas. Sua história dessa vez, tem como plano principal seus problemas não superados, após vingadores: Ultimato. Com isso, é muito bonito ver a maneira cuidadosa que a Marvel trata os assuntos sobre transtornos mentais, como a depressão e o alcoolismo.


O trabalho de Zoë Saldaña, em interpretar fisicamente a mesma personagem, mas sendo outra com jeitos e maneiras de agir diferente, é incrível, a atriz com tranquilidade mostra todo o seu potencial, e acabamos “esquecendo” que ela realmente interpretou a antiga Gamora, por sua atuação fora do normal.


Em um encontro inesperado, Quill e a “nova” Gamora, se reencontram, e o Senhor das Estrelas faz de tudo para reconquistá-la, entretanto acaba falhando todas as vezes. A química de Chris Pratt e Zoë Saldaña é ardente, externando-se para seus personagens. A partir disso, conseguimos o desfecho necessário que esses personagens estavam precisando.


Mantis (Pom Klementieff) e Drax (Dave Bautista), se mostram como sempre, uma dupla cheia de encanto, e são de longe o melhor alívio cômico do longa, com comentários e ações engraçadas, no time certo. Os atores passam o sentimento de estarem realmente conectados no set, empenhando um excelente trabalho e companheirismo.


Já o personagem Groot (Vin Diesel) se torna cada vez mais maduro e com diversas habilidades importantes, como por exemplo quando ele se prende ao Senhor das Estrelas, e abre uma enorme asa de madeira, fazendo-os escapar de um grande confronto. Não só isso, mas também as táticas de luta fora do comum, são de impressionar. Isso tudo, faz ficar claro que, mesmo feito por CGI, o roteiro consegue favorecer demais o personagem e toda a sua trajetória de crescimento, desde um brotinho até a fase adulta.


Todo o figurino do longa, feito por Judianna Makovsky, estava brilhante e muito bem utilizado, tanto as cores, quanto as camadas e formas das roupas. Os Guardiões, ganharam uniformes de cair o queixo, exatamente iguais aos dos quadrinhos, e com certeza foi um dos pontos fortes dessa parte da produção.


Como todo filme da franquia tem boas músicas, dessa vez não seria diferente. A trilha sonora, desenvolvida e escolhida por John Murphy, está fenomenal, com músicas como Creep da banda Radiohead, Come and Get Your Love da banda Redbone, Dog Days Are Over de Florence e The Machine, entre muitos outros sucessos.


A direção do longa, junto com a direção de fotografia por Henry Braham, conseguiram fazer cenas de batalhas muito encantadoras e dinâmicas. Com certeza, esse foi um dos pilares para prender a atenção do público durante 2 horas e 29 minutos, e não fazê-lo ficar maçante, e sim na verdade, cada vez mais atraente a quem assiste.


Guardiões da Galáxia: Volume 3, consegue ter só uma parte negativa, que são os personagens Paragon (Elizabeth Debicki) e Adam Warlock. Começando com Paragon, ela se se torna nesse longa uma figura totalmente chata e sem carisma, tomando atitudes extremamente burras na grande maioria das vezes, além de Elizabeth estar com uma atuação bem meia boca.


Agora falando de Will Poulter, como o personagem Adam warlock, ele não convence muito bem e é totalmente descaracterizado e diferente das histórias em quadrinhos. É fato, que eles botaram Adam com um único motivo, “Os Guardiões vão acabar, temos que enfiar ele em algum lugar”, pois o filme seria completamente igual se não tivesse sua participação. Talvez, Warlock até possa funcionar para aqueles que não entendam nem um pouco de quadrinhos, contudo, para os leitores é bem triste.


Como imaginávamos, a equipe dos Guardiões da Galáxia original, foi desfeita, permitindo que cada integrante pudessem seguir para um lado e tomar seus próprios rumos. A partir disso, na equipe foi implementada novos integrantes, eles são: Cosmo (Maria Bakalova), Kraglin (Sean Gunn), Adam Warlock, Phyla-Vell, o novo mascote Blurp, Groot e o novo líder do grupo, Rocket Raccoon.


A separação é uma chave muito importante, para poder aumentar ainda mais o núcleo de heróis em diferentes lugares e com diferentes histórias em aberto. Em conclusão, James Gunn conseguiu fazer história com esses personagens, que não eram tão conhecidos anteriormente e fecha suas jornadas de maneira linda e caprichada.

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