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Homem-Aranha: Através do Aranhaverso | Crítica



Por: Yago Souza 


Homem-Aranha: Através do Aranhaverso, mostra com facilidade o quão gigante é a parceria da Sony Animation com a Marvel Entertainment. Sabe aqueles filmes que você assiste e sem pensar duas vezes fala, “Oscar”, então… Isso acontece aqui, não só como de Melhor Animação, mas talvez até como Melhor Filme. O primeiro filme, que foi multipremiado, é completamente jogado para escanteio, a partir do momento em que você vê a evolução dos personagens e uma melhora absurda na animação gráfica.


Quando Miles Morales, ganha um novo vilão atrapalhado, sua vida já está em completo caos, não conseguindo estabelecer uma boa relação com seus pais, enquanto salva toda sua cidade sozinho. Em paralelo, uma organização feita de Homens-Aranhas, está tentando salvar todo o aranhaverso, desfazendo todas as incursões e rupturas nesses universos. Depois de Miles acabar se metendo em uma nova enrascada, ele é convocado a conversar com Miguel O’Hara, líder dos Aranhas, e entusiasmado o jovem tem todas suas expectativas quebradas quando descobre que todos seus amigos estavam conspirando contra ele. Sem pensar muito, Morales foge, mostrando toda sua habilidade e força, para as milhares versões de Aranhas do local. Quem o jovem irá escolher, todo um multiverso ou as pessoas que ama?


O roteiro de Através do Aranhaverso, foi produzido por Chris Miller (Tá Chovendo Hambúrguer), Phil Lord (Uma Aventura LEGO) e David Callaham (Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis). Eles três, não só tem um cuidado minucioso com a produção, como também é claro todo o carinho e entendimento sobre a cultura do Homem-Aranha, indo de brinquedos, live-actions, histórias em quadrinhos e animações.


Uma das partes mais bem escritas e desenvolvidas pelo script, com certeza é o amadurecimento dos personagens, com uma ênfase em Miles e Gwen Stacy, partindo muito além de explorá-los apenas como um par romântico ou de amizade, e escolhendo abordar sobre seus individualismos, crenças e perspectivas de prioridades.


Como no longa-metragem anterior, a trilha sonora desse filme foi montada por Daniel Pemberton, que fez um trabalho mais que impecável. As cenas conversam com as músicas, expressando ainda mais significado de tudo aquilo que já está sendo apresentado.


Direção de arte foi feita por Dean Gordon (A Pequena Sereia de 1989) e Araiz Khalid (Ms. Marvel), e seus nomes tem que ser destacados aqui pelos seus trabalhos de alta coesão técnica e as suas competências em juntar múltiplos tipos de vertentes na animação, como live-actions, mundo lego, aparências retiradas de quadrinhos e inúmeros outros estilos. Claro que esses créditos não vão só para eles, mas sim para todos da equipe de arte e design gráfico, por terem feito cada frame ser uma obra de arte do começo ao fim.


O crescimento do protagonista Miles Morales, em questões físicas, emocionais e intelectuais são claros. Essa era a parte mais arriscada do roteiro, porém conseguiram tratar isso da maneira mais concisa possível. Na transição do segundo para o terceiro ato, ficou visível toda a perspicácia de Miles, ao se livrar de centenas de personagens atrás dele e ainda conseguir sair de 2099. Com certeza no desfecho final dessa grande história, veremos um jovem de 15 anos que terá a maturidade de um super-herói de anos em luta.


Hobie Brown, mais conhecido como Punk-Aranha, roubou a cena em todas as partes que apareceu, não só o melhor personagem secundário do filme, como também o que mais conquistou o carisma do público. Os animadores da produção, revelaram que levaram de 2 a 3 anos para desenvolver e aprimorar o estilo de desenho de Hobie, e fica claro todo o cuidado que ele teve, por ter uma pegada bem diferente dos outros ao seu redor, como se fosse “um recorte de História em quadrinho”.


Pavitr Prabhakar, como muitos já esperavam, seria muito interessante, pelas suas habilidades diferentes de lutas e suas origens de um continente completamente longe da tradicional, vindo diretamente da Índia. Infelizmente não tendo muitas cenas, as que ele aparece conseguem ser certeiras e direta ao alvo.


Gwen Stacy, conhecida como Gwen-Aranha, como já citado anteriormente, teve uma evolução absurda. Dividindo o protagonismo com Miles, Stacy mostrou muito de si, artisticamente e emocionalmente. A delicadeza que tiveram em contar suas fragilidades foi lindo, e novamente chama atenção em como todos da produção conseguiram transmitir toda a sintonia original dela.


Como todos já sabiam, o que mais teria no longa seriam referências, não só aos quadrinhos, mas como à outras obras audiovisuais do personagem. Já estava certo no trailer que o Peter da série animada de 2008 iria aparecer e ele com certeza foi uma figura muito marcante no filme. Além da citada anteriormente, tivemos a presença de Tobey Maguire, Andrew Garfield, mas não como personagens com novas cenas, e sim apenas cortes de suas produções. Já Tom Holland, não apareceu, com tudo foi muito citado por Miguel O’Hara, entretanto o personagem Aaron Davis, mais conhecido pelo codnome Gatuno, interpretado por Donald Glover, que apareceu em Homem-Aranha: De Volta ao Lar, esteve presente e com novas cenas, tendo uma participação inesquecível.


A direção por Joaquim Dos Santos (DC Showcase: Superman & Shazam!: O Retorno do Adão Negro), Kemp Powers (Soul) e Justin K. Thompson (Angry Birds: O Filme), foi esplêndida, principalmente por mostrar a capacidade que um filme do gênero animação pode se reinventar, passando o nível de qualidade da grande maioria dos estúdios já consolidados. O talento que eles três tiveram para interligar pontos distintos e a quantidade de personagens, é impressionante!


A marca Homem-Aranha nunca tinha conseguido ser tão gigante, mesmo com todas as produções anteriores, como a trilogia de Sam Raimi, O Espetacular Homem-Aranha ou até mesmo a trilogia do Tom Holland, que faz parte do universo cinematográfico da Marvel. A animação de 2018 e essa de 2023, passam de todos os limites já alcançados, em qualquer tipo de séries, filmes e animações de Super-Heróis, colocando o gênero em outra escala.


Brooklyn El Omar, responsável pelo figurino, já trabalhou em obras como One Piece Film: Red e Raya e o Último Dragão, e com isso consegue transmitir sua grande capacidade na área. Fica evidente o cuidado e as particularidades, de cada uniforme e roupas que apareceram no longa-metragem, e isso ganha ainda mais ênfase quando vemos que possuem diversos Aranhas e modificações em antigos trages que já tínhamos visto, como o de Miguel O’Hara e Miles Morales.


No final da longa-metragem, com os personagens em três universos diferentes, o grupo Gwen-Aranha, Spider-Byte, Pavitr Prabhakar, Hobie Brown, Porco-Aranha, Peter B. Parker, Mayday, Homem-Aranha Noir e Peni Parker (SP//DR), vai em busca de salvar a vida e ajudar Miles, mostrando a real fidelidade ao protagonista, mesmo depois de momentaneamente terem quebrado. É realmente majestoso imaginar essa equipe trabalhando junto na sequência do filme, por conta de já termos um apego emocional com cada um dos integrantes.


O vilão Spot de primeiro impacto transpareceu ser um vilão genérico, com uma origem rasa e pequenas metas bobas, porém ele consegue mudar completamente isso no segundo ato, virando um enorme personagem, com habilidades e poder de destruição fora do normal.


Faltando menos de um ano, a continuação direta do longa, Homem-Aranha: Além do Aranhaverso, tem a previsão de lançamento para dia 29 de março de 2024.


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