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Suzume | Crítica



Por: Yago Souza 

Suzume, novo filme animado japonês, chegou aos cinemas brasileiros em 13 de abril deste ano, encantando o público com toda a sua beleza. Além disso, o longa já era muito esperado, por ser de Makoto Shinkai, mesmo criador de Your Nome, Cínco Centímetros por Segundo e O Jardim das Palavras.


Quando a jovem Suzume, cruza com um menino desconhecido indo para uma cidade abandonada, a menina fica com isso na cabeça e decide ir atrás. Porém, o que ela não imaginava é que encontraria uma porta interdimensional, que já havia visto antes, na sua infância. Contudo, quando a garota mexe no que não deveria, ela acaba causando um grande desastre, que só ela e Sōta Munakata, conseguem enxergar e resolver. Após fecharem o portal, um misterioso gato falante, transforma o menino desconhecido em uma cadeira. Apartir daí, a cadeira sem um dos quatro pés, e Suzume, correm atrás desse pequenino gatinho para fazer Sōta ter seu corpo novamente e fecharem os portais abertos em todo o Japão.


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O roteiro escrito por Makoto Shinkai, é simplesmente genial, em um ponto que usa literalmente uma cadeira, como personagem principal e par romântico, sendo até difícil de explicar como o escritor conseguiu fazer isso de maneira “simples” e natural. Fora isso, ele consegue fazer uma passagem de tempo e espaço, bem interessante, pois os personagens atravessam de uma ponta a outra do país, de um jeito tão divertido e descontraído, que você acaba ficando cada vez mais preso na trama.


Com a direção também por Shinkai, ele consegue trabalhar de uma forma inteligente os planos da obra, sabendo bem quando abrir ou fechar as imagens. Fora isso, o longa em nenhum momento fica “largado” e com um percurso solto, muito pelo contrário, ele consegue focar em pequenos detalhes que são diretamente conectados do início ao fim.


O design de animação desse longa é fantástico, sabendo utilizar os tons em neon de maneira precisa, em cenas noturnas e ao dia. A movimentação dos personagens também é impressionante, tanto do gato, da cadeira, da protagonista e dos grandes monstros que saem das portas. Sabendo disso, ao assistir a produção, cada segundo, é uma obra de arte, com traços e profundidades incríveis.


A personagem Suzume, tem carisma e bons posicionamentos durante o filme. Mesmo que os personagens do roteirista sejam sempre um pouco parecidos, dessa vez, a protagonista ganhou uma certa discrepância ao olharmos outros personagens, pois ela não tem o objetivo focado no amor, mas sim fazer diversas coisas perigosas com o intuito de ajudar milhares de pessoas. Além disso, sua jornada de autoconhecimento é linda e sutil, chegando no fim e nos fazendo pensar “sim, ela conseguiu. Ela cresceu”, encantando qualquer telespectador.


A famosa cadeira bamba ou mais conhecido como Sōta Munakata, foi um personagem que literalmente se transformou em um objeto, mas que consegue ter uma relação muito interessante com a protagonista. Mesmo que muito menos que Suzume, Sōta consegue ter um bom amadurecimento e crescimento durante a história. Portanto, sua humanização também foi muito afetada, se consagrando alguém com muito mais sentimentos.


É impressionante como o criador conseguiu tratar assuntos sérios sobre desastres ambientais nesse longa-metragem, utilizando uma mitologia muito conhecida no Japão, de grandes Namazu (peixe-gato) debaixo da terra que causava terremotos. Aparte, também foi utilizando tragédias que aconteceram na vida real, como o tremor de magnitude 9, no ano 2011. Essa coletânea de fatos, fez com que o filme de Makoto ganhasse uma tremenda profundidade, não apenas para japoneses que vivenciaram isso na pele, como para todo o resto do mundo.


A relação das portas interdimencionais, são uma maneira de representar o fechamento de ciclos passados, não só para a protagonista, mas também para as vítimas que morreram nos acidentes. Para essas passagens serem fechadas, é preciso que o praticante da ação pense em coisas positivas que as pessoas vivenciaram no local, e não negativas e pesadas. Toda essa relação espiritual é sempre muito trabalhada em animes, pela relação dos nativos com a mitologia, e em Suzume não foi diferente, sendo talvez o paralelo mais bem utilizado pelo o roteirista em sua carreira.


Seguindo no pensamento das portas, ao fim do longa, vemos a jovem finalmente trancar de vez e aceitar o seu passado tão conturbado, aonde sua mãe foi morta de maneira caótica. Essa conclusão deixa todo o signo do filme, bem mais representando e cronologicamente estável. Essa passagem e destaque central para esses vórtexs, conversou muito com luto, traumas e medos, desmistificando toda a passagem da animação.


A trilha sonora escolhida e feita por Kazuma Jinnouchi, ganhador de um Bafta, que trabalhou em Ghost in the Shell SAC_2045 e Radwimps, ganhador do Award of the Japanese Academy (2017), pelo filme Your Name; soube dialogar com as cenas e percursos da produção com harmonia e equilíbrio.


Linha temporal nesse universo não é tênue, com começo meio e fim, mas sim muito parecido com o filme A Chegada de 2016. O motivo disso é a semelhança em o tempo ser como um círculo, em que o conceito de início e final não existe, com o futuro afetando diretamente o passado e vice-versa. Isso se marcou bem utilizado, quando uma ação dos últimos segundos do epílogo afetou com tudo o primeiro ato, não sendo possível um coexistir sem o outro.


Por fim, a produção japonesa é uma ótima opção para se assistir com toda a família, e indo muito além disso, traz uma didática simples e compreensível para os mais jovens sobre encerramentos e superação.

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