Por: Yago Souza
O novo filme da DC Comics, The Flash, dirigido por Andy Muschietti, corre em busca de ser o melhor filme e mais revolucionário da empresa, mas acaba atropelando a boa qualidade em cheio, deixando todo o sonho de uma boa adaptação da história em quadrinho Flash Ponto de Ignição, ser destruída na velocidade da luz.
Quando Barry Allen (Ezra Miller) descobre que pode viajar no tempo e que seu pai Henry Allen (Ron Livingston) não vai sair da cadeia, ignornorando todos os concelhos de Batman (Ben Affleck), o jovem volta no tempo e impede que sua mãe morra. Contudo, o que ele não imaginava, é que suas atitudes teriam efeitos extremamentes negativos, modificando todo o seu universo e proporcionando milhares de incursões ao mesmo tempo.
A bomba que é o roteiro feito por Joby Harold (John Wick 3: Parabellum) e Christina Hodson (Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa), jogam fatos e personagens totalmentes desnecessários para a trama, fingindo ter alguma coerência ou nexo. Isso é claro quando vemos uma história arrastada e fraca, que não tem muito sentido no final e se torna totalmente desnecessária para o universo da DC. Além disso, cenas como a da Mulher Maravilha, que foram adicionadas somente para fã service, não possuindo coerência e nem sentido para estar ali, enfraquece demais as arrastadas 2 horas e 35 minutos de produção.
Pelas mãos de Andy Muschietti, a direção foi uma completa loucura, o que é surpreendente, pois o diretor já tem uma ótima bagagem de trabalhos, como por exemplo It: A Coisa. Porém, o que ele fez aqui, parece um trem sem freio, com um fato sendo atropelado por trás do outro, sem coordenação nenhuma!
Os efeitos especiais conseguem ser uma das piores partes do longa-metragem, você pensa “voltei para os anos de 1990?”, ou até antes disso… por conta da falta de qualidade inserida na versão final do filme. Alguns trechos como as incursões dos planetas, a força de aceleração e a das dezenas de bebês caindo de um prédio, deixaram claro a falta de cuidado e precisão no CGI (coisa que não poderia acontecer, se tratando de um universo de super-heróis e uma empresa milionária desenvolvendo-o).
Já a trilha sonora feita por Benjamim Wallfisch, não acerta muito, na realidade muito pelo contrário, ela só consegue ser boa nas músicas relacionadas ao Batman, que trazem uma sensação de “retorno à infância” quando você as escuta. Porém o resto é genérico, e não consegue agregar na experiência como um todo.
A fotografia conduzida por Henry Braham é tenebrosa, e corre contra os efeitos práticos. Você consegue sentir as milhares de camadas de CGIs mal feitas e confusas. As transições de cenas mal feitas, as cores extravagantes e toda aquela velocidade mal utilizada, pode ser um grande incômodo para pessoas com epilepsia e com Labirintite.
O figurino feito por Alexandra Byrne, acerta na grande maioria dos heróis, como a do Flash, as dos Batmans, a Supergirl e a da Mulher Maravilha, contudo alguns uniformes não ficam tão bem desenvolvidos, como o Flash dessa nova linha temporal e do vilão final (que também é o Flash).
A atuação de Michael Keaton como Batman, é triunfal, talvez uma das melhores atuações da DC nessa nova fase. Claro que seu bom trabalho junta com a memória afetiva de seus antigos filmes como o personagem, em 1989. Keaton salva o filme e com toda certeza da um gostinho de “quero mais”, abrindo possibilidades para mais participações especiais no futuro.
O protagonista Flash, vivido por Ezra Miller, não tem nada demais, talvez por conta do roteiro mal escrito, mas o ator também não ajudou muito nisso, não que ele seja ruim, mas como tem que interpretar três Barry Allen, deu para sentir uma certa dificuldade de Ezra em diferenciá-los, deixando todos muito genéricos.
A atriz Sasha Calle, que interpretou Kara Zor-El’ ou mais conhecida como Supergirl, fez um trabalho excelente, e conseguiu com facilidade tirar todo o foco de “cadê o Superman?”, roubando toda a atenção para si. Sasha se mostrou muito competente para o papel, e com certeza poderia entrar para o mundo principal da DC, nos cinemas.
O General Zod foi também outro personagem largado, e posto aqui só para aumentar as expectativas para o longa-metragem, pois não teve sentido nenhum ele aparecer novamente. O script conseguiu fazer um dos melhores vilões do universo cinematográfico da DC, virar algo chato, sem graça e sem um boa premissa. Entretanto, a atuação de Michael Shannon no papel, foi ótima e estável, transmitindo a sensação de “volta para casa” e conforto por trabalhar novamente fazendo um personagem que ele já fez antes.
Se olharmos nos quadrinhos, como no exemplo acima, o campo de energia denominado de Força da Aceleração, até que tem alguma semelhança com a vista em The Flash, com tudo não funciona para essa produção audiovisual, deslocando-se muito mais de apenas confuso, para algo não encaixavel e que causa até mesmo um certo tipo de incômodo visual. Com certeza esse foi o pior fragmento do design de produção, feito por Paul D. Austerberry (A Saga Crepúsculo: Eclipse).
Com a proposta de reiniciar o DCEU (DC Extended Universe, ou em português Universo Extendido da DC), ele se torna uma completa propaganda enganosa, não mostrando diferença e obtendo apenas uma mudança circunstancial, de um ator que interpretará um grande personagem da liga da Justiça, porém tirando isso, The Flash não muda concretamente nada, deixando tudo muito em aberto; com clareza, foi uma espécie de fuga, para ela ter tempo de se decidir sobre o futuro da franquia.
O “Flash do mal”, foi totalmente desnecessário para o longa, e transborda o quanto tudo isso foi superficial demais. O personagem mal desenvolvido pela equipe de maquiagem e design gráfico, literalmente se mata da maneira mais burra vista em algum tipo de produção audiovisual e com diálogos nada convincentes.
The Flash, até pode funcionar para um público não muito exigente, mas para os fãs de heróis ou de quadrinhos, essa produção com certeza irá ser uma grande bomba (negativamente falando), entretanto se você procura fãs services das antigas gerações, ele será um passatempo aceitável.
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