Por: Pedro Henrique Candido
Lançado em maio de 2023, Boogeyman: Seu medo é real tem um terror que agrada muito os amantes do horror. Em tempos onde os filmes de terror são meros longas com várias cenas de sustos na tela, Boogeyman torna-se um diferenciado. O filme dá uma aula de como causar medo no telespectador sem necessariamente assustar. No entanto, quando necessário, o mesmo entrega jump-scares, porém extremamente precisos e convincentes. A atmosfera sombria e densa, nos faz sentir perseguidos, iguais aos personagens.
O enredo do filme é sobre uma estudante do ensino médio, Sadie Harper e sua irmãzinha Sawyer ainda estão se recuperando da recente morte de sua mãe. Devastado pela própria dor, o pai deles, Will, terapeuta de profissão, não lhes dá o apoio nem o carinho que tentam reivindicar dele. Quando um paciente desesperado aparece inesperadamente em sua casa pedindo ajuda, eles trazem uma entidade aterrorizante que persegue as família e se alimenta de seu maior sofrimento.
O trio de roteiristas, Mark Heyman, Bryan Woods e Scott Beck fazem um trabalho acelerado, denso e de ótima qualidade. O fato do filme correr rápido de maneira emocionante, faz a direção receber a maioria dos créditos, mas deve haver ressalvas aos escritores. Conforme a velocidade do filme, o diálogo dos personagens consegue ser extremamente detalhado e específico, embora tenha uma direção muito acelerada.
Sobretudo o longa de 1h e 40min usa o artifício de cenas mais longas para desenvolver os diálogos. Já que quando há uma direção tão acelerada desse jeito, os roteirista tem menos tempo de trabalhar seus personagens. Além disso, certamente os roteiristas tiveram muita criatividade para criar determinadas situações tenebrosas dentro do pouco espaço que o set de filmagens oferecia.
O diretor é Rob Savage, conhecido pelo filme Dashcam e o maravilhoso Cuidado com Quem Chama. Mesmo Rob sendo aclamado pela críticado por Cuidado com Quem Chama, em Boogeyman ele se supera. O diretor britânico não dá chances ao tédio no filme, do começo ao fim ele faz o público adentro o mundo de Stephen King. Cada 6 ou 9 minutos, há cenas com diálogos acertivos, seguida de jump-scares execelentes, onde o medo é prioridade e não o mero susto.
Também é importante ressaltar que as cenas são bem escuras, nada igual ao grotesco Slender-Man: Pesadelo sem rosto, mas ainda há bastante escuridão. Contudo Rob usou isso a seu favor, Boogeyman é um ser mais assustador na noite do que no claro. A aparência genérica de filme de terror, da entidade só é perceptível ao meio, quase final do filme. Rob Savage mostra até o momento o seu auge criativo nesse longa, a ponto de ser difícil encontrar algo a criticar em seu recente trabalho.
Similarmente, a direção e roteiro, o elenco dos atores também não deixam a desejar, sendo Sophie Tatcher, Vivien Lyra Blair e Chris Messina os protagonistas. Antes das observações individuais, é importante dizer que a relação entre todos é muito forte. Após a morte da mãe, as filhas tristes e frágeis não aguentariam perdem mais alguém, mostrando assim dependência, uma da outra.
Embora o pai, Will, não aparenta, sente a falta da esposa e também se apoia emocionalmente em suas filhas. Os três atores mostram essa dependência com excelência, principalmente, Chris que tem que interpretar um homem, cujo o personagem esconde esse sentimento. Contudo, o ator é capaz de externar esse sentimento de medo ao ver filhas correndo o perigo que possivelmente matou sua esposa
Sophie que interpreta Sadie, exerce uma melancolia e drama de sua personagem desde o início do filme. Sadie abalado pela perda da mãe no início do filme, com passar do tempo ela muda a personalidade. Sentimentos da melancolia da perda são transformados em raiva no desenrolar da história e a atuação de Sophie acompanha esse desenvolvimento perfeitamente.
A pequena Vivien apesar de ser a mais nova, talvez seja a que melhor se saiu em seu papel. Eventuamente filmes de terror colocam crianças para ser a vítima da história, já que devido inocência delas é mais fácil o público temer o antagonista apresentado. Porém isso significa que a criança será muito requisitada ao longo do filme. A pequena atriz Vivien Lyra Blair demostra o como que sua persongem se sente perseguida, igonorada e amedrontada com os acontecimentos que ocorrem na casa.
O restante do elenco faz corretas para seus personagens que servem apenas para criar dramas na vida dos protagonista. Uma pequena menção honrosa ao ator David Dastmalchian que mesmo aparecendo no início do filme, causa um grande impacto no público de maneira marcante.
A trilha sonora apresentado Boogeyman mostra um contraste legal de músicas e sons temáticos. Em meio as cenas de horror, não há trilha sonora, tal fato faz com que a audiência tenha um susto ainda maior nos jump-scares. Porém nos poucos momentos de leveza que há no filme, toca músicas que não condizem com filmes de terror, mas faz um belo contraste.
Percebida algumas músicas na sala do cinema, canções do albúm Mornig Phase do cantor Beck. Por sinal o excelente albúm de rock psicodélico ganhou o Grammy de melhor album em 2015. Ao final do filme, quando a trama é encerrada, é tocada icônica música Burning Love do rei rock and roll, Elvis Presley. Patrick Johnson não usou tanto as tilha sonora, mas foi uma decisão acertada, já que o o longa não pede uma grande interferência musical.
Elias Duhe Jr., Matthew D. Hollingsworth, Liam Hoppe, Matt Kutcher, Chuck Lucia, Justin Kane Miller, Michael Petrucci, Louis Chue Vado é a equipe de efeitos especiais. O grupo tem um desempenho muito bom, mesmo a aparência de Boogeyman sendo genérica, igual a de outros monstros de filmes terror. Como dito anteriormente, o filme é bem escuro que de certa forma ajuda a equipe a disfarçar o monstro Boogeyman no cenário.
Em resumo, o filme aborda o tema dos adultos escuturem mais as crianças, através de analogias em situações do filme. Com um trabalho espetacular da produção por trás da câmera, e um elenco de atores extremamente competentes, Boogeyman entrega tudo do melhor nível possível, que um amante de filme de terror gosta.
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